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domingo, 31 de março de 2019

A melhor forma de entender a relação entre os cristãos e a guarda do sétimo dia



O que será publicado aqui não é, de forma alguma, um ataque ou discurso de ódio àqueles que se denominam sabatistas, ou seja os guardadores do sábado/shabbat. O que irei fazer é apenas mostrar a visão oposta a minha e depois a minha versão, tudo de forma mais concisa e simples o possível.
   Bem, vamos lá!!!
  Argumento em prol da guarda do dia sétimo: Quem acredita que este mandamento deve ser guardado segue a linha de raciocínio de que o sábado foi dado no Gênesis 2 (bem antes de existir judeus) e que ele foi guardado por Jesus e pelos apóstolos, até mesmo após a morte do Mestre. Ou seja, eles usam o mesmo argumento da Lei do casamento, citada em Mt 19. Aqui estão os versículos base de quem pensa assim:
Genesis 2:2, 3: "E havendo Deus acabado no dia sétimo a obra que fizera, descansou no sétimo dia de toda a sua obra, que tinha feito. E abençoou Deus o dia sétimo, e o santificou; porque nele descansou de toda a sua obra que Deus criara e fizera."
Lucas 23:56 "E, voltando elas, prepararam especiarias e ungüentos; e no sábado repousaram, conforme o mandamento."
Atos 10:10-14 "E tendo fome, quis comer; mas enquanto lhe preparavam a comida, sobreveio-lhe um êxtase, e via o céu aberto e um objeto descendo, como se fosse um grande lençol, sendo baixado pelas quatro pontas sobre a terra, no qual havia de todos os quadrúpedes e répteis da terra e aves do céu.E uma voz lhe disse: Levanta-te, Pedro, mata e come. Mas Pedro respondeu: De modo nenhum, Senhor, porque nunca comi coisa alguma comum e imunda."
Minha versão: Não há um relato sequer de que antes de Moisés os seres humanos guardavam tal mandamento. Pra falar a verdade, a expressão “Lembra-te” de Êxodo 20: 8, usada por alguns como texto-prova para a guarda do dia sétimo antes de Moisés era simplesmente uma referencia a Exodo 16: 23, pois o sábado já tinha sido dado por Moisés. 
Além do mais, os apóstolos guardavam este dia e também as leis alimentares porque eram judeus. Eles não só guardavam o sábado como também circuncidavam os filhos e celebravam as outras festas judaicas.
  Isso mesmo, os crentes judeus continuaram seguindo o judaísmo, no entanto os gentios não tinham a obrigação de se judaizar para obter a salvação. Cada um permaneceria “no estado em que foi chamado” (1 Co 7: 17, 18). Agora mostrarei os textos-prova: 
Atos 2: 1:  “Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar.”
Atos 21: 20-25: “Ouvindo eles isto, glorificaram a Deus, e disseram-lhe: Bem vês, irmãos, quantos milhares há entre os judeus que têm crido, e todos são zelosos da lei; e têm sido informados a teu respeito que ensinas todos os judeus que estão entre os gentios a se apartarem de Moisés, dizendo que não circuncidem seus filhos, nem andem segundo os costumes da lei. Que se há de fazer, pois? Certamente saberão que és chegado. Faze, pois, o que te vamos dizer: Temos quatro homens que fizeram voto; toma estes contigo, e santifica-te com eles, e faze por eles as despesas para que rapem a cabeça; e saberão todos que é falso aquilo de que têm sido informados a teu respeito, mas que também tu mesmo andas corretamente, guardando a lei. Todavia, quanto aos gentios que têm crido já escrevemos, dando o parecer que se abstenham do que é sacrificado a os ídolos, do sangue, do sufocado e da imoralidade sexual.”
Atos 25:8 “Paulo, porém, respondeu em sua defesa: Nem contra a lei dos judeus, nem contra o templo, nem contra César, tenho pecado em coisa alguma.”
I Coríntios 7:17, 18: “E assim cada um ande como Deus lhe repartiu, cada um como o Senhor o chamou. É o que ordeno em todas as igrejas. É alguém chamado, estando circuncidado [seguindo o judaísmo] fique circuncidado. É alguém chamado estando incircuncidado? não se circuncide [não se judaíze].”
Os únicos mandamentos dados aos gentios que fazem parte da cultura judaica são estes:
Atos 15:28, 29: "Porque pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor maior encargo além destas coisas necessárias:
Que vos abstenhais das coisas sacrificadas aos ídolos, e do sangue, e da carne sufocada, e da imoralidade sexual; e destas coisas fareis bem de vos guardar. Bem vos vá."

Agora vou citar um trecho que resume o pensamento apostólico:
Romanos 3:30 “Visto que Deus é um só, que justifica pela fé a circuncisão [judeus cristãos], e por meio da fé a incircuncisão [gentios cristãos]”.
Outro texto que deixa clara a não necessidade de não guardarmos o mandamento em questão é Colossenses 2: 16, 17:
 “Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados, que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo.
  Este texto ficaria melhor entendido assim:
“Portanto ninguém vos julgue por não se judaizarem, pois o judaísmo é um símbolo do que viria, ou seja, de Jesus e do Evangelho.
Todos os ritos e costumes da Lei eram, de alguma forma, profecias sobre o Messias. O cordeiro pascal era um símbolo de Jesus; as festas das primícias um símbolo de sua ressurreição, pois Cristo foi chamado por Paulo de “as primícias dos que dormem” (I Co 15: 23) , ou seja, o primeiro ressuscitado para a glória; e o sábado da vida eterna, conforme o contexto de Hb 4. Era como se Paulo quisesse dizer: “Olha, vocês, gentios não tem a obrigação de fazer essas coisas, pois são apenas símbolos do que agora vivemos e presenciamos”. 
O termo “sombras” descrito em Cl 2 pode ser entendido como “representação”, “figura”, “símbolo” (Hb 8: 5, 10: 1). Ex.: A sombra do João é uma representação do dele. tabernáculo terreno era uma “sombra”, isto é, símbolo do celestial (Hb 8: 5).
Algumas objeções:  É comum alguns afirmarem que os sábados de Colossenses não sejam os sábados do sétimo dia, mas os tidos por cerimoniais, ou seja, as outras festas judaicas. No entanto Veja a seguir:
*Dias de festas: ANUAL
*Luas novas: MENSAL
*Sábados: Ora, se as festas são anuais e as luas novas, mensais, o único raciocínio coerente é que os sábados descritos são SEMANAIS! Trata-se de uma progressão anual, mensal, semanal. Além do mais, não seria necessário dizer sábados, pois todas as festas já estão inclusas em dias de festas. Era como se alguém te perguntasse: “amigo, você se for convidado para uma festa em minha casa, você irá?”. Você responde: “Sim!”. E depois ela pergunta: “E se eu te convidar para a festa do meu aniversário?”. Ora, só a primeira pergunta já responde a segunda!
  Outra objeção, é o fato de os apóstolos encontrarem pessoas não-judias em sinagogas nos dias de sábado(At 14: 1, 17: 4).  Agora uma pergunta: essas pessoas eram cristãs? Pelo contexto, não, pois só passarm a crer em Jesus após a pregação dos apóstolos. Eram pessoas simpatizantes da fé judaica. Até hoje, se você for a alguma sinagoga, não encontrará apenas judeus, mas também gentios, e este era o caso.

Os sabatistas e os gálatas

  Os gálatas eram um grupo de crentes que, além de crerem em Jesus, também estavam seguindo o conselho de Atos 15: 1, ou seja, estavam se judaizando. Paulo os adverte severamente:
Gálatas 5:2-4: “Eis que eu, Paulo, vos digo que, se vos deixardes circuncidar, Cristo de nada vos aproveitará. E de novo protesto a todo o homem, que se deixa circuncidar, que está obrigado a guardar toda a lei. Separados estais de Cristo, vós os que vos justificais pela lei; da graça tendes caído.”
   Obviamente, essas palavras não se referem a judeus (At 21: 21), mas a gentios convertidos ao cristianismo. Ou seja, Para Paulo, todo o gentio que se judaíza está separado de Cristo. Para o cristão, Jesus já é suficiente, e quando recorremos à Lei, estamos declarando a incapacidade de nosso Senhor para salvar-nos.
  O sabatismo responde dizendo que o único salvador deles é Jesus, porém, para eles, um salvo tem o dever de seguir esta ordenança, o que dá na mesma coisa!

Argumento histórico

  Objecão sabatista: Argumenta-se que Constantino foi quem mudou a guarda do sábado para o domingo. Citam também trechos de cartas de Epifânio (e também outros pais da Igreja, como Jerônimo), que viveu no século 4, as quais mostram um grupo de judeus nazarenos que guardavam o sábado.
Minha versão: Quando lemos a literatura antiga, vemos completamente o contrário. Obras cristãs tanto do século 2 como do 3 afirmam unanimente que os cristãos gentios não guardavam este mandamento. Sobre os nazarenos, descrito em Panarion de Epifânio, que eram judeus cristãos, sim, eles não só guardavam o sábado como também a circuncisão. 
Agora vou citar um trecho de Inácio de Antioquia, que foi discípulo dos apóstolos:
  “Não vos deixeis enganar por doutrinas heterodoxas nem por velhas fábulas que são inúteis. Com efeito, se ainda vivemos segundo a lei, admitimos que não recebemos a graça. De fato, os diviníssimos profetas viveram segundo Jesus Cristo. Por essa razão foram perseguidos, pois eram inspirados pela graça dele, a fim de que os incrédulos ficassem plenamente convencidos de que existe um só Deus, que se manifestou por meio de Jesus Cristo seu Filho, que é o seu Verbo saído do silêncio; e que em todas as coisas se tornou agradável àquele que o tinha enviado. Aqueles que viviam na antiga ordem de coisas chegaram à nova esperança, e não observam mais o sábado, mas vivem em conformidade o dia do Senhor, em que a nossa vida se levantou por meio dele e da sua morte. Alguns negam isso, mas é por meio desse mistério que recebemos a fé e no qual perseveramos para ser discípulos de Jesus Cristo, nosso único Mestre. Como podemos viver sem aquele que até os profetas, seus discípulos no espírito, esperavam como Mestre? Foi precisamente aquele que justamente esperavam, que ao chegar, os ressucitou dos mortos. Portanto, não sejamos insensíveis à sua bondade. Se ele nos imitasse na maneira como agimos, já não existiríamos. Contudo, tornando-nos seus discípulos, abraçamos a vida segundo o cristianismo. Quem é chamado com o nome diferente desse, não é de Deus. Jogai fora o mau fermento, velho e ácido, e transformai-vos no fermento novo, que é Jesus Cristo. Deixai-vos salgar por ele, a fim de que nenhum de vós se corrompa, pois é pelo odor que sereis julgados. É absurdo falar de Jesus Cristo e, ao mesmo tempo judaizar. Não foi o cristianismo que acreditou no judaísmo, e sim o judaísmo no cristianismo, pois nele se reuniu toda língua que acredita em Deus.” (Inácio de Antioquia aos Magnésios)
Enfim, esta é, na minha humilde opinião, a melhor forma de entender o relacionamento entre o cristãos e as tradições e ritos da Lei. Depois de ler tudo isso, confira os versículos citados na sua Bíblia e o contexto em que estão inseridos. Se acha que há erros interpretativos, não esqueça de me constatar. A paz do Senhor a todos! Shalom Adonai!

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