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quinta-feira, 18 de abril de 2019

A Melhor Forma de Entender Mateus 2: 15



Mateus 2:15 diz: “…onde ficou até a morte de Herodes. E assim se cumpriu o que o Senhor tinha dito pelo profeta: “Do Egito chamei o meu filho”

Oseias 11:1-2: “”Quando Israel era menino, eu o amei, e do Egito chamei o meu filho. Mas, quanto mais eu o chamava, mais eles se afastavam de mim. Eles ofereceram sacrifícios aos baalins e queimaram incenso aos ídolos esculpidos.”

  A todos os irmãos em Cristo, a paz do Senhor! Sejam bem vindos ao meu bloguinho sobre curiosidades do mundo virtual!
  Hoje discutiremos um texto que é muito atacado por aqueles que são anticristãos, como o professor Fábio Sabino e a Associação Judaísmo  em Ação (AJA). E como cristãos, às vezes, ficamos na dúvida sobre a nossa fé quando somos confrontados por argumentos desse tipo de gente. Bem, o que vou publicar aqui não é de forma alguma uma refutação ou ataque aos anticristãos, mas apenas uma tentativa de ensinar meus amados irmãos a entenderem a fé que professam.

  Como visto acima, esta citação de Oseias se refere a Israel, não ao Messias. E a pergunta surge imediatamente: Então Mateus mentiu, distorceu o texto de Oseias? A Resposta: Não! Trata-se de uma analogia! O apóstolo apenas viu um paralelo entre a infância de Jesus de Jesus e o inicio da história de Israel.
    Em primeiro lugar, os evangelhos foram feitos para pessoas convertidas, não para converter. Isso mesmo, as pessoas que receberam o evangelho de Mateus já eram cristãs!!! Além disso, o evangelho de Mateus foi escrito para judeus, pessoas que conheciam muito bem as suas Escrituras. Ou seja, a hipótese de distorção não faz sentido algum, mas, sim, que se tratava de um método interpretativo utilizado nos primeiros séculos, o que logo à frente mostrarei com detalhe.

  Em segundo lugar, o que muita gente não sabe (incluindo a maioria dos cristãos) é que, na era apostólica, os discípulos viam, nos eventos passados, figuras do Messias, em outras palavras, os discipulos faziam paralelos, analogias.  Para provar isso, vou citar um trecho da carta de Clemente de Roma aos Coríntios. Clemente foi um cristão que pode nos ajudar a entender muito bem essa passagem de Mateus. Isso porque, segundo a história eclesiástica, ele viveu entre os anos 10 e 100 d. C. Exatamente, Clemente conviveu com os apóstolos! Agora vejamos um trecho de sua carta: 

“1. Por causa da fé e hospitalidade, Raabe, a prostituta, se salvou.

2. Pois quando Josué, filho de Num, mandou espiões para Jericó, o rei daquela nação ficou sabendo que haviam chegado homens para explorar a terra; então mandou homens para os prenderem e, após presos, matarem-nos.

3. Raabe, a hospitaleira, recebeu-os e os ocultou sob a palha do linho no andar superior.

4. Quando os emissários do rei se apresentaram e lhe falaram: "Aqui entraram os espiões que vieram reconhecer nosso território. O rei manda que os entregueis", ela respondeu-lhes: "De fato, os homens que procurais entraram em minha casa, porém já se retiraram e continuam seu caminho". E ela apontou-lhes em direção oposta.

5. Então ela falou aos espiões: Disto sei e me convenci: o Senhor vos entregou esta terra porque o medo e pânico se apossaram de seus habitantes. Quando a conquistardes, salvai a mim e a casa de meu pai".

6. Os espiões responderam: "Será como falaste! Quando nos vires aproximar, reúnam-se todos os teus parentes sob o teto da tua morada e todos serão salvos; porém, aqueles que estiverem do lado de fora perecerão".

7. Como outro sinal, propuseram-lhe ainda que dependurasse algo vermelho na casa, tornando evidente que, pelo sangue do Senhor, viria a redenção para todos aqueles que cressem e esperassem em Deus.

8. Vede, amados: nesta mulher não houve apenas fé, MAS TAMBÉM DOM DE PROFECIA” (Capítulo XII)

  Como você pode observar, aquele sinal deixado por Raabe para proteger sua família durante o ataque israelita, para Clemente, também apontava para a morte de Cristo. Era, na visão dele, um símbolo do que ocorreria com Jesus, nosso Senhor!


Outro cristão que pode dizer o mesmo é Justino, o Mártir. Este viveu entre os anos 100 e 165 d. C., e usa o mesmo método interpretativo, provando que o uso de Mateus era comum na comunidade cristã da Antiguidade, não uma distorção. Ele inclusive usa a mesma passagem que Clemente, em Diálogo com Trifão:

“Não sei quem possa afirmar isso, mas o fato é que antecipadamente anunciava a salvação que viria para todo o gênero humano por meio do sangue de Cristo. O mesmo sinal da fita escarlate que os exploradores mandados por Jesus (Josué), filho de Nave, deram em Jericó à prostituta Raab, dizendo-lhe que a pendurasse na janela por onde os fizera descer para enganar os inimigos, foi também símbolo do sangue de Cristo. Por meio dele, salvar-se-ão os que antes se entregavam à fornicação e à iniqüidade, pessoas de todas as nações que recebem o perdão de seus pecados e não tornam mais a pecar.” (Diálogo com Trifão, cap. 113: 4)

  Para Justino, o nome dado a Josué, sucessor de Moisés, o episódio da serpentes no deserto (o qual Moisés fez um sinal de cruz) e muitos outros apontavam para Jesus:

"1Também não foi por acaso que o profeta Moisés permaneceu até a tarde mantendo
a figura da cruz, quando Hor e Aarão lhe sustentavam os braços, pois também o Senhor
permaneceu sobre a cruz até quase o entardecer; e pelo entardecer o sepultaram, para
ressuscitar no terceiro dia." 
serpente de bronze e mandou que os picados olhassem para ela e eles se curavam. Fez isso depois que ele próprio tinha ordenado que ninguém absolutamente fabricasse imagem.” (Cap. 94)

“ 1Trifão replicou: — Sabes muito bem que o nosso povo todo espera pelo Cristo. Também te concedemos que todas as passagens das Escrituras, que citaste, se referem a ele. Eu pessoalmente te declaro também que o nome de Jesus dado ao filho de Nave levou-me a ceder também nesse ponto.” (Cap. 89) Aqui Trifão, um judeu que estava dialogando com Justino, concorda com ele sobre o nome dado a Josué (que é o mesmo de Jesus) ser um símbolo do Messias.
    Além do mais, isso pode ser visto na própria Biblia. Vejamos como Jesus e Paulo utilizam a mesma passagem. Jesus usa a passagem de Isaías 6: 9, 10  de forma figurada, como se ela fosse cumprida naquele tempo:
13. Por isso lhes falo por meio de parábolas; porque, vendo, não enxergam; e escutando, não ouvem, muito menos compreendem.
14. Neles se cumpre a profecia de Isaías: ‘Ainda que continuamente estejais ouvindo, jamais entendereis; mesmo que sempre estejais vendo, nunca percebereis.
15. Posto que o coração deste povo está petrificado; de má vontade escutaram com seus ouvidos, e fecharam os seus olhos; para evitar que enxerguem com os olhos, ouçam com os ouvidos, compreendam com o coração, convertam-se, e sejam por mim curados’.
(Mateus, 13)
Agora Paulo cita literalmente:
25. Então, começaram a discordar entre si mesmos e foram embora, logo após Paulo ter feito esta declaração final: “Bem que o Espírito Santo comunicou aos vossos pais por intermédio do profeta Isaías:
26. ‘Vai a este povo e dize-lhe: Ouvindo, ouvireis, e de maneira nenhuma entendereis; e vendo, vereis, mas de maneira nenhuma percebereis.
27. Porque o coração deste povo se tornou insensível e com os ouvidos ouviram, porém sem dar atenção, e fecharam os olhos; para que não vejam com os olhos, nem ouçam com os ouvidos, nem se convertam e Eu os cure!”
(Atos, 28)

Veja a semelhança entre ambos (Jesus e Israel):
Jesus: quando criança, foi levado por JOSÉ ao Egito;
Israel: Também foi levado por JOSÉ ao Egito;
Jesus: Saiu do Egito quando criança;
Israel: Também saiu do Egito no seu início;
Jesus: Ao sair das águas, passou quarenta períodos de provação no deserto;
Israel: Também passou quarenta períodos de tentação após sair das águas;
Jesus: Morreu pelos romanos;
Israel: Também foi destruído pelos romanos em 70 d. C.

  Outro ponto que pode mostrar essa visão cristã dos primeiros séculos são os ritos mosaicos! Na lei de Moisés, existia a Festa das Primícias; Cristo, para os cristãos é a ‘primícia dos que dormem’ (I Co 15: 20). Da mesma forma, Jesus Cristo é tido como o cordeiro Pascal. Ou seja, todo o cerimonialismo do Antigo eram uma representação, um símbolo de Cristo e do Evangelho, conforme Colossenses 2: 16, 17.

  Só lembrando que essa não era a única forma de interpretar a Bíblia dos primeiro séculos. Futuramente, mostrarei muitas outras. Por enquanto, eu me limitei a explicar apenas Mateus 2: 15, pois é um trecho muito atacado e, por causa disso, tem feito muitos irmãos a duvidar ou até mesmo abandonar a fé. Se os nossos amigos anticristãos não concordarem com essas interpretações, isso é problema deles. O fato é que essa era a forma como os cristãos primitivos entendiam as Escrituras.

Ah! Geralmente as passagens interpretadas como profecias literais pelos apóstolos estão em sermões e debates, como Mateus 22: 41-46 e Atos 2: 25-36.

  Se ainda restam dúvidas, deixa nos comentários! Se eu puder ajudar, não demorarei em fazer isso!




2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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    1. Shalom. fico feliz por ter contribuído no seu crescimento espiritual. Sim, a analogia foi feita apenas com o versículo 1, em que Israel sai do Egito, assim como aconteceu com Jesus. Como mostrei acima, era um costume da Igreja primitiva a tipologia, como mostram Clemente e Justino. Eu acredito que este link também poderá te ajudar muito, pois esclaresce um dos temas mais debatidos no meio judaico-cristão, que é a identidade do Servo sofredor: https://teologiabrasileira.com.br/o-servo-sofredor-em-isaias-52-13-53-12/

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